Corinthians soa hipocrisia ao promover um agressor de mulher, opina jornalista

Em fevereiro, logo após voltar a comandar o departamento de marketing do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg deu entrevista ao GloboEsporte.com e à TV Globo e deixou clara a proposta da diretoria com relação às causas sociais. De fato, o Corinthians promoveu campanhas para manter o clube da histórica Democracia

Corinthiana engajado em movimentos que sua imensa torcida defende.
Mas como na maioria das campanhas de marketing, os projetos sociais corintianos volta e meia escorregam para a comercialização pura e simples da marca do clube. E ações paralelas, como nas negociações do futebol, passam um tom de hipocrisia.

Foi o que aconteceu nesta semana, quando o Corinthians praticamente fechou a contratação do atacante Juninho, do Sport, indiciado por agressão, injúria e ameaça a uma ex-namorada, em Recife, em novembro do ano passado. A informação sobre a negociação se tornou pública minutos depois de o clube publicar nota em redes sociais fazendo reverência aos 12 anos da Lei Maria da Penha, marco na legislação brasileira no combate à violência contra a mulher.

Nada poderia ser mais emblemático. A repercussão nas redes sociais foi péssima para o clube, óbvio. Justamente o Corinthians, que lançou o #RespeitaAsMinas. O #JuninhoNoCorinthiansNão ganhou espaço e acendeu o alerta. Afinal, a que se propõe o abraço corintiano às causas que ele defende?
Juninho tem 19 anos, foi emprestado pelo Sport ao Ceará porque o clube quis se livrar de um problema. O clube de Fortaleza também o rejeitou depois de uma breve passagem. A contratação pelo Corinthians soa como promoção. E o clube que está promovendo é aquele que diz abraçar causas sociais.

Juninho não pode ser previamente julgado e condenado a perder a carreira que pode ser de sucesso no futuro. Mas tem de responder pela agressão a uma mulher na Justiça. O Corinthians do “Respeita As Minas” era o último clube a fazê-lo pular essa etapa. Não é possível que ninguém do clube tenha pesquisado sobre o histórico dele.

Ao oferecer “apoio psicossocial” e estabelecer imposições de “comportamento extracampo”, como sugere agora, o clube parece de novo jogar pra galera. E, pior, trata agressão a uma mulher como um desajuste de comportamento extracampo. E faz lembrar a maldita frase “quem nunca saiu na mão com a mulher?”, do goleiro Bruno, condenado por matar Eliza Samudio, uma das milhares de vítimas de feminicídio anualmente no Brasil.

* Maurício Oliveira é jornalista da TV Globo

Ubiratan Braga

Jornalista, radialista, publicitário

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